terça-feira, 29 de julho de 2008

2ª Edição de Terrores Noturnos na Bienal!


Confirmado: a 2ª edição de Terrores Noturnos estará na 20ª Bienal Internacional do livro de SP!!!

Uma sessão de autógrafos com este humilde escriba que vos fala está agendada para o dia 17/08, a partir das 16:30, no Pavilhão de Exposições do Anhembi (Av. Olavo Fontoura 1209 - Santana - São Paulo - SP), no estande da Litteris Editora (Rua M com Av. 5). Mais informações no site da Bienal: http://www.bienaldolivrosp.com.br. A entrada é R$ 10.

Lembrando que participo também de mais duas antologias a serem lançadas na Bienal: "São Paulo - Uma Metrópole de Palavra" e "Um Soneto para Machado de Assis", em homenagem aos 100 anos da sua morte.

Convites, mandem um e-mail para fernandoromano80@yahoo.com.br com seu endereço completo que estarei enviando com o máximo de urgência. Espero todos vocês lá!


quarta-feira, 25 de junho de 2008

Bizarrice




Sem comentários.

sábado, 8 de março de 2008

Dia Internacional da Mulher


Pense em qualquer filme, livro, ou história de terror, e uma mulher estará presente. Em um mundo que não faria sentido sem elas, o nosso gênero preferido não poderia ser exceção. Na maioria dos filmes, os homens é que são os vilões - as mulheres são geralmente as que "sobram" no meio da matança toda e as principais responsáveis por salvar o dia (ou a noite, no caso). Em Psicose, de Hitchcock, a cena do chuveiro, talvez a mais famosa do gênero, foi imortalizada por duas mulheres - a vítima, Janet Leigh, e a assassina, a "mãe" de Norman Bates. Mais tarde, a filha de Janet Leigh, Jamie Lee Curtis, tornou-se a primeira "Rainha do Grito" e a heroína de Halloween. E será que Jason seria tão perturbado se não tivesse uma mãe tão dominadora? Em muitas seqüências de Sexta-Feira 13 é uma mulher que acaba por dar fim... melhor dizendo, por invalidar Jason por algum tempo. Já em O Massacre da Serra Elétrica, Marilyn Burns corre e grita o filme inteiro - mas é a única que sobrevive a Leatherface. A personagem Vampira, já comentada aqui, chama a atenção em Plan 9 From Outer Space sem dizer uma única palavra. Até o nosso Zé do Caixão, apaixonado pela mistura Mulher x Terror, com suas assistentes que o fecham no seu esquife e nos seus filmes passando à procura da mulher ideal, que deve lhe dar um filho. E muitos, inúmeros outros casos no cinema.

Na literatura, idem. Edgar Allan Poe já cantava o desespero da perda da mulher amada em seus poemas O Corvo e Annabell Lee. Carrie, de Stephen King, o seu primeiro sucesso, inteiramente baseado nelas, mulheres como vilãs e heroínas. Sem contar a figura da Bruxa, de chapéu bicudo e voando numa vassoura, já bastante difundida no universo do Horror, símbolo do 31 de outubro - o dia delas (e até mesmo na literatura infantil e nas fábulas; a Bruxa má já é um clássico), e mais recentemente, a Vampira, sexy e perigosa ao mesmo tempo, trazendo dor e prazer a nós, pobres homens, nos quais crava seus afiados dentes. A todas elas, a todas essas mulheres que fazem o gênero Terror, uma homenagem deste pobre blogueiro neste dia que é de vocês, como são de vocês todos os dias de todo o resto do ano: Meus parabéns!...

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

"They're coming to get you, Barbara..."





Hoje, 4 de Fevereiro, George Romero, o mestre em filmes de zumbis, completa 68 anos bem vividos (trocadilho intencional). Antes dele, já haviam sido feitos filmes de zumbis, mas ele praticamente reinventou esse sub-gênero com "A Noite dos Mortos-Vivos" (Night Of The Living Dead, 1968), há exatos 40 anos, e influenciou muito do Terror que se seguiu, além de definir, em seu primeiro filme, parâmetros para qualquer filme de zumbi que se preze (principalmente na parte que se refere à locomoção dos mortos-vivos, já comentado aqui.) Guilherme de Martino, em seu Guia de Vídeo - Terror (que eu chamo de "Bíblia" do Terror, com mais de 400 filmes comentados e cotados), diz sobre o trabalho de estréia de Romero: "Um dos maiores clássicos dos filmes de horror, um marco dos anos 60. Considerado a grande influência para o cinema de horror moderno por mostrar, explicitamente, violência e nojo que antes eram apenas sugeridos. Foi um dos filmes responsáveis pelo surgimento do termo cult, devido à fiel legião de fãs, sempre presente em suas exibições à meia-noite. Mesmo com a visível falta de recursos (...), o filme mantém sua força com cenas, ainda hoje, de grande impacto, conduzidas eficientemente por Romero (...). Na época, ficou proibido pela nossa censura. Presença obrigatória na coleção de qualquer fã". Sobre "Zombie, o Despertar dos Mortos": "Seqüência de 'A Noite dos Mortos-Vivos' e um dos maiores clássicos do cinema de horror moderno. Como o filme anterior, este também estabeleceu um novo padrão para o gênero, inaugurando a era dos efeitos exagerados, com humor, explicitação máxima e muito sangue, surgindo daí o uso da expressão [e o gênero] splatter. Um filme altamente crítico (...) e sufocante."

E Romero foi mais além, ao incluir críticas sociais nos seus trabalhos. Incrível! Guilherme de Martino, de novo: " 'O Despertar dos Mortos' (...) satiriza implacavelmente uma sociedade baseada unicamente em valores materiais e consumistas, chegando ao cúmulo de povoar um shopping center com um bando de pessoas-zumbis totalmente desprovidos de consciência e valores. Só lhes resta o mais puro e animalesco instinto de sobrevivência. 'Será que você é um deles?', parece ser a pergunta que Romero nos faz, com os três filmes [na época, eram três] que compõem a série dos mortos-vivos!" Detalhe: isso já em 1978, data de lançamento do filme. Vemos hoje que a sociedade de lá para cá não mudou muito... e sua próxima ida ao shopping nunca mais será a mesma. Em Martin (Martin, 1977), vemos essa mesma sociedade preconceituosa e intolerante. E já em "Vingança Sem Rosto" (Bruiser, 2000), um homem acorda inexplicavelmente com uma máscara envolvendo sua face, que não sai de jeito nenhum; somente quando ele é fiel a ele mesmo, sem atitudes 'mascaradas' ou falsas, fazendo o que ele queria fazer, a máscara o deixa (o filme ainda conta com uma ponta do Misfits no filme, ainda com o vocalista Michaele Graves, cantando a música-título em um show). Somente um gênio do seu quilate para acrescentar esse tipo de crítica num gênero como o Terror, quase sempre à beira da saturação.


Se Romero não fosse autor de "Zombie, o Despertar dos Mortos", "Dia dos Mortos" (Day of Dead, 1985) e outras obras-primas, bastaria esse primeiro filme para "imortalizá-lo" (hehehe) no Panteão (ou melhor dizendo, no Mausoléu) dos grandes diretores do Terror, junto com Tod Browning, William "Tut" Castle, José Mojica Marins (o nosso Zé do Caixão), Wes Craven, John Carpenter, Dario Argento e muitos outros. Seus filmes da Tetralogia dos Mortos (os três já citados acima e mais "Terra dos Mortos" [Land Of The Dead, de 2005]) já foram quase todos refilmados e/ou copiados, várias vezes (temos as séries "A Volta dos Mortos-Vivos" e "Re-Animator" da década de 80, e alguns filmes de Dario Argento) mas a única refilmagem decente é de 1990, de "A Noite dos Mortos-Vivos". Assistí-los no original é imperdível; o que dizer do humor-horror (não Terrir) feito por ele em "Zombie, O Despertar dos Mortos"? Ou o clima totalmente depressivo de "Dia dos Mortos", ou a total falta de esperança que Romero lega à humanidade, com os zumbis capazes de "aprender" mais coisas, em "Terra dos Mortos", ou até mesmo a frase que se imortalizou no começo de "A Noite dos Mortos-Vivos", colocada no início do post: "They're coming to get you, Barbara..." (Eles estão vindo pegar você, Barbara...)?


George Romero, parabéns!! Que você viva muito... muito, muito, muito, muito!!! "Será que você é um deles?" Grrarrrr....

domingo, 20 de janeiro de 2008

Annabel Lee, no original


Neste post, a versão original de Annabel Lee.



It was many and many a year ago,
In a kingdom by the sea,
That a maiden there lived whom you may know
By the name of ANNABEL LEE;
And this maiden she lived with no other thought
Than to love and be loved by me.

I was a child and she was a child,
In this kingdom by the sea;
But we loved with a love that was more than love-
I and my Annabel Lee;
With a love that the winged seraphs of heaven
Coveted her and me.

And this was the reason that, long ago,
In this kingdom by the sea,
A wind blew out of a cloud, chilling
My beautiful Annabel Lee;
So that her highborn kinsman came
And bore her away from me,
To shut her up in a sepulchre
In this kingdom by the sea.

The angels, not half so happy in heaven,
Went envying her and me-
Yes!- that was the reason (as all men know,
In this kingdom by the sea)
That the wind came out of the cloud by night,
Chilling and killing my Annabel Lee.

But our love it was stronger by far than the love
Of those who were older than we-
Of many far wiser than we-
And neither the angels in heaven above,
Nor the demons down under the sea,
Can ever dissever my soul from the soul
Of the beautiful Annabel Lee.

For the moon never beams without bringing me dreams
Of the beautiful Annabel Lee;
And the stars never rise but I feel the bright eyes
Of the beautiful Annabel Lee;
And so, all the night-tide, I lie down by the side
Of my darling- my darling- my life and my bride,
In the sepulchre there by the sea,
In her tomb by the sounding sea.

sábado, 19 de janeiro de 2008

Annabel Lee


"O Corvo" é genial, adoro-o, mas o meu poema preferido de Poe é este: Annabel Lee. Linda tradução de Fernando Pessoa.



Annabel Lee*
Edgar Allan Poe


Foi há muitos e muitos anos já,
Num reino de ao pé do mar.
Como sabeis todos, vivia lá
Aquela que eu soube amar;
E vivia sem outro pensamento
Que amar-me e eu a adorar.


Eu era criança e ela era criança,
Neste reino ao pé do mar;
Mas o nosso amor era mais que amor --
O meu e o dela a amar;
Um amor que os anjos do céu vieram
a ambos nós invejar.


E foi esta a razão por que, há muitos anos,
Neste reino ao pé do mar,
Um vento saiu duma nuvem, gelando
A linda que eu soube amar;
E o seu parente fidalgo veio
De longe a me a tirar,
Para a fechar num sepulcro
Neste reino ao pé do mar.


E os anjos, menos felizes no céu,
Ainda a nos invejar...
Sim, foi essa a razão (como sabem todos,
Neste reino ao pé do mar)
Que o vento saiu da nuvem de noite
Gelando e matando a que eu soube amar.


Mas o nosso amor era mais que o amor
De muitos mais velhos a amar,
De muitos de mais meditar,
E nem os anjos do céu lá em cima,
Nem demônios debaixo do mar
Poderão separar a minha alma da alma
Da linda que eu soube amar.


Porque os luares tristonhos só me trazem sonhos
Da linda que eu soube amar;
E as estrelas nos ares só me lembram olhares
Da linda que eu soube amar;
E assim 'stou deitado toda a noite ao lado
Do meu anjo, meu anjo, meu sonho e meu fado,
No sepulcro ao pé do mar,
Ao pé do murmúrio do mar.


*Ritmicamente conforme com o original.

O Corvo (II)


Há também uma outra tradução do famoso poema de Poe, desta vez feita por Machado de Assis - que também é excelente, por sinal. Escolha a sua versão, e boa leitura.

O Corvo
Edgar Allan Poe



Em certo dia, à hora
Da meia-noite que apavora,
Eu, caindo de sono e exausto de fadiga,
Ao pé de muita lauda antiga,
De uma velha doutrina agora morta,
Ia pensando, quando ouvi à porta
Do meu quarto um soar devagarinho,
E disse estas palavras tais:
"É alguém que me bate à porta de mansinho;
Há de ser isso e nada mais".


Ah! bem me lembro! bem me lembro!
Era no glacial dezembro;
Cada brasa do lar sobre o colchão refletia
A sua última agonia.
Eu ansioso pelo Sol, buscava
Sacar daqueles livros que estudava
Repouso (em vão!) à dor esmagadora
Destas saudades imortais
Pela que ora nos céus anjos chamam Lenora,
E que ninguém chamará mais.


E o rumor triste, vago, brando
Das cortinas ia acordando
Dentro em meu coração um rumor não sabido,
Nunca por ele padecido.
Enfim, por aplacá-lo aqui, no peito,
Levantei-me de pronto, e "Com efeito,
(Disse), é visita amiga e retardada
"Que bate a estas horas tais.
"É visita que pede à minha porta entrada:
"Há de ser isso e nada mais".


Minh'alma então sentiu-se forte;
Não mais vacilo, e desta sorte
Falo: "Imploro de vós - ou senhor ou senhora,
Me desculpeis tanta demora.
"Mas como eu, precisando de descanso
"Já cochilava, e tão de manso e manso,
"Batestes, não fui logo, prestemente,
"Certificar-me que aí estais".
Disse; a porta escancar, acho a noite somente,
somente a noite, e nada mais.


Com longo olhar escruto a sombra
Que me amedronta, que me assombra.
E sonho o que nenhum mortal há já sonhado,
Mas o silêncio amplo e calado,
Calado fica; a quietação quieta;
Só tu, palavra única e dileta,
Lenora, tu, com um suspiro escasso,
Da minha triste boca sais;
E o eco, que te ouviu, murmurou-te no espaço;
Foi isso apenas, nada mais.


Entro co'a alma incendiada.
Logo depois outra pancada
Soa um pouco mais forte; eu, voltando-me a ela:
"Seguramente, há na janela
Älguma coisa que sussurra. Abramos,
"Eia, fora o temor, eia, vejamos
"A explicação do caso misterioso
Dessas duas pancadas tais,
"Devolvamos a paz ao coração medroso,
"Obra do vento, e nada mais".


Abro a janela, e de repente,
Vejo tumultuosamente
Um nobre corvo entrar, digno de antigos dias.
Não despendeu em cortesias
Um minuto, um instante. Tinha o aspecto
de um lord ou de uma lady. E pronto e reto,
Movendo no ar as suas negras alas,
Acima voa dos portais,
Trepa, no alto da porta em um busto de Palas:
Trepado fica, e nada mais.


Diante da ave feia e escura,
Naquela rígida postura,
Com o gosto severo, - o triste pensamento
Sorriu-me ali por um momento,
E eu disse: "Ó tu que das noturnas plagas
"Vens, embora a cabeça nua tragas,
"Sem topete, não és ave medrosa,
"Dize os teus nomes senhoriais;
"Como te chamas tu na grande noite umbrosa?"
E o corvo disse: "Nunca mais".


Vendo que o pássaro entendia
A pergunta que eu lhe fazia,
Fico atônito, embora a resposta que dera
Dificilmente lha entendera.
Na verdade, jamais homem há visto
Coisa na terra semelhante a isto:
Uma ave negra, friamente posta
Num busto, acima dos portais,
Ouvir uma pergunta a dizer em resposta
Que este é seu nome: "Nunca mais".


No entanto, o corvo solitário
Não teve outro vocabulário.
Como se essa palavra escassa que ali disse
Toda sua alma resumisse,
Nenhuma outra proferiu, nenhuma.
Não chegou a mecher uma só pluma,
Até que eu murmurei: "Perdi outrora
"Tantos amigos tão leais!
"Perderei também este em regressando a aurora".
E o corvo disse: "Nunca mais!"


Estremeço. A resposta ouvida
É tão exata! é tão cabida!
"Certamente, digo eu, essa é toda a ciência
"Que ele trouxe da convivência
"De algum mestre infeliz e acabrunhado
"Que o implacável destino há castigado
"Tão tenaz, tão sem pausa, nem fadiga,
"Que dos seus cantos usuais
"Só lhe ficou, na amarga e última cantiga,
"Esse estribilho: "Nunca mais".


Segunda vez nesse momento
Sorriu-me o triste pensamento;
Vou sentar-me defronte ao corvo magro e rudo;
E, mergulhando no veludo
Da poltrona que eu mesmo ali trouxera,
Achar procuro a lúgubre quimera,
A alma, o sentido, o pávido segredo
Daquelas sílabas fatais,
Entender o que quis dizer a ave do medo
Grasnando a frase: "Nunca mais".


Assim pôsto, devaneando,
Meditando, conjeturando,
Não lhe falava mais; mas, se lhe não falava,
Sentia o olhar que me abrasava.
Conjeturando fui, tranqüilo, a gosto,
Com a cabeça no macio encosto
Onde os raios da Lâmpada caíam,
Onde as tranças angelicais
De outra cabeça outrora ali se desparziam
E agora não se esparzem mais.


Supus então que o ar, mais denso,
Todo se enchia de um incenso,
Obra de serafins que, pelo chão roçando
Do quarto, estavam meneando
Um ligeiro turíbulo invisível:
E eu exclamei então: "Um Deus sensível
"Manda repouso à dor que te devora
"Destas saudades imortais.
"Eia, esquece, eia, olvida essa extinta Lenora".
E o corvo disse: "Nunca mais".


"Profeta, ou o que quer que sejas!
"Ave ou demônio que negrejas!
"Profeta sempre, escuta: Ou venhas tu do inferno
"Onde reside o mal eterno,
"Ou simplesmente náufrago escapado
"Venhas do temporal que te há lançado
"Nesta casa onde o Horror, o Horror profundo
"Tem os seus lares triunfais,
"Dize-me: existe acaso um bálsamo no mundo?"
E o corvo disse: "Nunca mais".


"Profeta, ou o que quer que sejas!
"Ave ou demônio que negrejas!
"Profeta sempre, escuta, atende, escuta, atende!
"Por esse céu que além se estende,
"Pelo Deus que ambos adoramos, fala,
"Dize a esta alma se é dado inda escutá-la
"No Éden celeste a virgem que ela chora
"Nestes retiros sepulcrais,
"Essa que ora nos céus anjos chamam Lenora!"
E o corvo disse: "Nunca mais!"


"Ave ou demônio que negrejas!
"Profeta, ou o que quer que sejas!
"Cessa, ai, cessa! (clamei, levantando-me) cessa!
"Regressando ao temporal, regressa
"À tua noite, deixa-me comigo...
"Vai-te, não fique no meu casto abrigo
"Pluma que lembre essa mentira tua.
"Tira-me ao peito essas fatais
"Garras que abrindo vão a minha dor já crua"
E o corvo disse: "Nunca mais".


E o corvo aí fica; ei-lo trepado
No branco mármore lavrado
Da antiga Palas; ei-lo imutável, ferrenho.
Parece, ao ver-lhe o duro cenho,
Um demônio sonhando. A luz caída
Do lampião sobre a ave aborrecida
No chão espraia a triste sombra; e fora
Daquelas linhas funerais
Que flutuam no chão, a minha alma que chora
Não sai mais, nunca, nunca mais.