sexta-feira, 27 de março de 2009

Trecho do conto "A Mais Longa das Noites"


"Roger viu coisas incríveis naquela noite... coisas que sequer em sonhos imaginaria se estivesse em outra ocasião. Carros de polícia passavam, à toda, o motor trovejando rua abaixo, a sirene ligada, de certo modo gritando, deixando um rastro da sujeira das ruas que iam atrás deles, impelidas pelo vento. Um grupo de adolescentes bêbados que lotavam uma caminhonete, esta gingando de um lado para o outro da rua, não a mais de 30 por hora, e a gritaria dos jovens, que rompia o silêncio da madrugada. Pernas e braços empunhando armas como rifles de caça amontoavam-se para fora das janelas da caminhonete. Um deles jogou uma lata de cerveja em Roger, mas ela quase nem chegou na casa; bateu no muro e ricocheteou. Roger nem se mexeu do lugar; olhou só. Sumiram após a esquina, com gritos empolgados e alcoolizados de quem já tinha passado da conta na bebida. Furgões de emissoras de TVs, indo para reportagens ao vivo. Um fotógrafo viu Roger e bateu uma foto dele parado, com a arma no ombro, fumando, em frente à entrada, parecendo um guardião da casa. Essa foto iria sair na primeira página do jornal do cara no dia seguinte, apenas com a seguinte manchete: SOBREVIVENTES. Roger também às vezes ouvia tiros, de muito, muito longe, os sons trazidos pelo vento frio da madrugada. O espocar como traques de revólveres 38, um ruído mais surdo das automáticas, o troar das escopetas e rifles, e, uma ou duas vezes, ouviu (ou pensou ter ouvido) rajadas de metralhadora.

Pouquíssimas pessoas passavam na rua, que incrivelmente desta vez estava mais calma que de costume. Essas pessoas mal olhavam para Roger quando passavam, apressadas. Queriam chegar em casa logo essa noite, pensou Roger. Queriam chegar em casa, preparar um café bem forte, tomar um banho, ou sentar no sofá com a luz do abajur acesa, e achar que tudo aquilo era um pesadelo.

"Mas não é", logo suspirou Roger."

quinta-feira, 5 de março de 2009

Sexta-Feira 13, resenha


Finalmente, fui assistir o novo Sexta-Feira 13 em cartaz nos cinemas. E o filme surpreendeu-me positivamente.

Esqueçam aquele post onde comentei sobre as
especulações pré-estreia. Esqueçam aquela história de prequels e remakes mal-ajambrados. Esqueçam aquele ator mirim dos boatos, ele nem mesmo participa. Fui assistir o filme meio que desconfiado e voltei surpreso. É um Sexta-Feira 13 típico: muito sexo, drogas e mortes (14 no total, excelente contagem pra Slasher nenhum botar defeito). A lamentar apenas a ineficiência do Cinemark na doceria. Não conseguiram dar conta de um público pequeno (e por falar, como estão caros os preços do Combo, hein!)

Mas continuemos: para quem ainda quiser assistir, pare de ler aqui. Para os mais curiosos, digo que o começo é meio confuso e somente aí se faz alguma menção ao passado de Jason. Mostra a cena (refilmada, com outros atores) em que a última sobrevivente da matança do 1º filme enfrenta e acaba por decapitar Wilma Voorhees, a mãe de Jason. As palavras de sua querida mamãezinha ecoam no ar: "Mate por mim, Jason. Eles quase deixaram você se afogar. Mate pela mamãe" (nessa hora eu pensei, "virge", agora o conflito é Freudiano...) Volta para o presente, onde 5 garotos, uns em busca de uma plantação de maconha, outros apenas acampando, voltam ao antigo Acampamento Crystal Lake. Desnecessário dizer que "ele" volta, sem muita explicação, usando, ao invés da tradicional máscara de hóquei, faixas no rosto! Mais tarde, ao fazer outra vítima em um galpão, ele encontra uma máscara de hóquei, coloca na face, dá uma ajeitada, vê que lhe cai bem e sai, pronto para matar. Uma tentativa de se "reescrever a história", pois originalmente ele adquire a sua famosa máscara no 3º filme da série, num furgão de uma gangue punk.

O filme continua, com outro personagem - o irmão de uma das desaparecidas do grupo anterior - à procura de sua irmã, nos arredores do Crystal Lake. Ele acaba por encontrar outro grupo de jovens que estão se dirigindo para lá, pois o pai de um deles tem uma cabana na região. Desnecessário dizer que o incansável Jason não para com as mortes, algumas bem criativas, outras até cômicas
(atente para a cena em que Jason "fisga" uma vítima debaixo de um píer do lago), usando vários tipos de armas, como por exemplo um arco e flecha desses de acampamento americano, para acertar, de longa distância, um descuidado que andava de lancha no Lago Cristal (o que levou um espectador algumas fileiras atrás de mim soltar um estupefato "Caraca!!!..."), um pouco antes da cena da "fisgada". Algumas sequências de mortes poderiam ser menos "videoclipadas" - verdadeiro vício do Terror atual - com menos cortes de câmera e mais explicitação. Porém isso não acaba compromentendo o resultado final. Talvez, para o filme poder sair para uma audiência maior, tem que passar pelo crivo da censura americana, que veta cenas mais fortes (coisa muito comum). Quem sabe mais adiante não teremos um DVD com cenas deletadas?

Os únicos boatos que se confirmaram, exceções à regra, foram de que Jason correria, ao invés de andar rápido (apenas em uma cena - saudades de Kane Hodder...), e de que ele não usaria luvas. O final tem algumas cenas já vistas antes em outros filmes da série (fãs da 6ª parte devem se lembrar que isso não dá certo...) e eu achei meio "forçado", mas o filme cumpriu o seu papel, que é o entretenimento de terror. Outra novidade, além dessas já citadas e do "Jason Sem-Máscara" no começo do filme, é que ele agora "mora" em uma das cabanas do acampamento, em contrapartida a uma cabaninha no meio dos bosques como era antigamente, e transformou-a num claustrofóbico antro, com passagens estreitas, armadilhas, e até um "cantinho da mamãe!"
Vale uma segunda conferida? Talvez. Afinal de contas, o que nós, fãs, podemos querer mais? Tem tudo o que um Sexta-Feira 13 tem, aquelas transas que o Jason adora interromper (obrigado, Guilherme de Martino!), drogas nas mãos de jovens "cobaias" e mortes, muitas mortes! Um típico Sexta-Feira 13. Fãs da série não vão se decepcionar. E faça-se justiça: depois dele, não sobra mais nada - apenas aquela música inesquecível: ki-ki-ki-ki, ma, ma, ma, ma...