quarta-feira, 19 de novembro de 2008

The Dickies - Killer Klowns


Clipe da música-tema do filme Killer Klowns From Outer Space, que aqui no Brasil recebeu o título de "Palhaços Assassinos". O filme é muito bom, diga-se de passagem. Foi feito em 88 e hoje virou cult, com várias páginas do Orkut dedicadas a ele, segundo o Boca do Inferno. Uma perfeita "Sessão da Tarde" Terror, aliás passava de tarde mesmo, quando o Zé do Caixão comandava o Cine Trash na Band (embora recordo que já havia passado antes, na antiga Sexta Mistério, também na Band). Um monte de gente por aí com certeza deve recordar-se da diversão, do clima geral de matinê e algumas cenas antológicas, como quando um palhaço vai "lutar" com membros de uma gangue e outro faz um jogo de sombras para pessoas paradas num ponto de ônibus.

Quem nunca assistiu Palhaços Assassinos?...





Dica do blogueiro Paulo.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Lendas & casos estranhos


Há algum tempo atrás, navegando pela net, achei em um site algumas lendas, urbanas ou não, e casos estranhos que são perfeitas para se (re)ver no Dia das Bruxas. Ei-las:

A mulher da sombrinha: em uma cidade do interior de Pernambuco, os operários da usina de açúcar, que costumeiramente saíam do trabalho à meia-noite, eram assediados por uma loira alta, que sempre carregava uma sombrinha. Ela os acompanhava por uma das principais ruas da cidade, a Avenida da Saudade, e quando chegava à porta do cemitério, desaparecia. A lenda inspirou a criação do bloco A Mulher da Sombrinha, que sai um sábado antes do Carnaval de Recife.

Palhaços assassinos: a misteriosa gangue causou pânico em Osasco, na Grande São Paulo, no começo dos anos 90. Os palhaços atraíam as crianças e as matavam friamente, para fazer contrabando de órgãos humanos. Conta-se que uma escola de 1º grau da cidade de Mauá chegou a ser atacada. Assim como eles surgiram, também desapareceram. Ou talvez ainda estejam por aí...

O papa-figo: vem de papa-fígado. Trata-se de um homem vítima de uma doença grave e deformativa, que ficou assim conhecido por ter um hábito muito estranho. Ele percorre as cidades com uma Kombi branca, bem velha, à procura de meninas e meninos. Isso porque as dores horríveis causadas pela anomalia só cessam depois de comer fígado fresco de criancinha.

Meu órgão sumiu: de 'A história sempre acontece com o irmão do primo de um grande amigo seu'. Durante uma viagem a Buenos Aires, o cara conhece uma gata incrível num bar. Vão para o hotel e ela lhe oferece um drinque. Assim que ele bebe, começa a se sentir sonolento. Ele acorda no dia seguinte em uma banheira cheia de gelo, com um bilhete: "Ligue para o hospital imediatamente ou você morrerá". Quando tenta se levantar, percebe que tem um corte no lado esquerdo do corpo. Um de seus órgãos foi levado.

A loira do banheiro: a assombração assusta há pelo menos duas gerações. Trata-se de uma loira de vestido branco, que aparece no banheiro de escolas públicas e particulares pedindo aos baixinhos que tirem o algodão de seu nariz. É isso mesmo, ela anda por aí com um algodão no nariz (provavelmente o mesmo que os embalsamadores colocam nos cadáveres, nas casas funenárias). Também aparece para motoristas de caminhão, pedindo carona em estradas desertas. José Mojica Marins, o Zé do Caixão, afirma que foi ele quem inventou essa história quando escrevia para o Notícias Populares nos anos 60. Mas, 30 anos depois, a loira continua viva.

Louco por refrigerante: como na história da Dona Baratinha, um homem teria caído em um tanque de Coca-Cola.

Mensagens do demônio: quando Gene Simmons, vocalista do grupo Kiss, esteve no Brasil, circulou a notícia de que seus discos teriam mensagens do mal. Para ouvi-las bastaria colocar as músicas na rotação contrária. A apresentadora Xuxa também teve seu nome associado à mesma história.

Atentado: o ex-presidente Tancredo Neves teria sido internado no Incor, em 1985, com um tiro na barriga, após um atentado. O processo infeccioso amplamente divulgado seria apenas uma estratégia de camuflagem.
Tancredo foi internado no Hospital de Base, em Brasília. Depois foi transferido para o Incor, em SP.

Ketchup contaminado: há alguns anos a capital federal entrou em estado de alerta. Circulou a informação de que um aidético teria injetado sangue contaminado em vários ketchups das lanchonetes da cidade. Muita gente preferiu comer sanduíche sem o tradicional molho.

Monstro do Lago Ness: seria um habitante do lago escocês, que tem 39 quilômetros de comprimento e 300 metros de profundidade. Inúmeras pessoas afirmam já ter visto uma enorme criatura nadando naquelas águas. O monstro teria as características de um réptil pré-histórico.

Iéti: o Abominável Homem das Neves seria um habitante das geleiras do Himalaia.

Bigfoot: a América do Norte também tem o seu exemplar. Segundo a lenda, ele mora nas Montanhas Rochosas, é peludo e tem 3,5 metros de altura.

Assombração: dizem que há seis fantasmas morando no Teatro Municipal de São Paulo.

A loira do metrô: uma mulher vaga até hoje pelos trilhos do metrô de São Paulo. Os funcionários juram tê-la visto diversas vezes.

A loira do Martinelli: após uma briga com a família, em 1936, uma loira muito bonita teria se suicidado no Edifício Martinelli, em São Paulo. Até hoje é possível encontrar a assombração pelas repartições do prédio.

Chupacabra: fenômenos inexplicáveis aconteceram no ano de 1997, no interior de alguns Estados brasileiros como São Paulo, Minas Gerais e Paraná. Animais amanheceram mortos, sem sangue e órgãos principais. A ação foi creditada ao Chupacabra, uma mistura de vampiro e lobisomem que assustou a população.

P.S.: Na 6ª série, a Loira do Banheiro era uma lenda urbana assustadora. A história espalhou-se pela minha escola como coqueluche. Ir aos sanitários vazios, quando todos estavam estudando, era garantia de arrepio na nuca. Os métodos para "evocá-la" variavam: na minha escola, o "método" era dar a descarga 3 vezes e chamar "Loira!" 3 vezes em voz alta, até ela aparecer; a lenda piorava quando você não conseguia fazer a loira ir embora, porque então ela apareceria no seu quarto sempre à meia-noite e colocaria a mão em seu ombro, e não largaria mais!
Em outras escolas, havia o hilário acréscimo de, além de fazer as coisas descritas acima, ainda ter que dar um chute na porta. Em outras mais, como na escola de minha esposa, além de acionar a descarga 3 vezes e chamá-la em voz alta 3 vezes também, o "evocador" ainda tinha que falar 3 palavrões gritando e dar 3 pulos!!! Lá ainda, houve o caso de uma pobre menina que, com a lenda em plena voga, foi sozinha até o banheiro e ficou presa, com a porta trancada do lado de fora por 2 outros alunos que se matavam de rir enquanto a coitada lá dentro gritava: "Socorro! Tirem-me daqui!!" aos berros, chorando, e só depois de uma hora e meia ouviram e vieram retirá-la, e encontraram-na encostada na porta, sentada, depois de tanto espernear e esmurrar a porta trancada. Deve ter tido pesadelos com a loira do banheiro por uma semana. Cruel...

Misfits - Halloween (vídeo feito por um fã)




HALLOWEEN
---------
Bonfires burning bright
Pumpkin faces in the night
I remember Halloween

Dead cats hanging from poles
Little dead are out in droves
I remember Halloween

Brown leafed vertigo
Where skeletal life is known
I remember Halloween

This day anything goes
Burning bodies hanging from poles
I remember Halloween

Halloween, Halloween, Halloween, Halloween

Candy apples and razor blades
Little dead are soon in graves
I remember Halloween

This day anything goes
Burning bodies hanging from poles
I remember

Halloween, Halloween, Halloween, Halloween
Halloween, Halloween, Halloween, Halloween

Sobre o Dia das Bruxas





Ultimamente há uma grande discussão sobre o Halloween, o Dia das Bruxas, aqui no Brasil. Existem aqueles que dizem que não devemos comemorar esta data, porque nosso país não teria nada a ver com essa festividade, considerada como simples "importação" cultural, modismo, ou um desrespeito às tradições brasileiras. E há os que simplesmente fazem o Halloween, dizendo não ser nada demais, e portanto não representando "perigo" à cultura nacional.

Lembro que lá por 1996, 1997, nada havia sobre o Dia das Bruxas. A data era lembrada por um ou outro veículo de mídia, às vezes alguma emissora
de TV passava um filme de terror, mas ficava por aí. Havia também o jurássico vírus de computador chamado Halloween (vixe, alguém se lembra?) que ficava adormecido no PC e só atacava no dia 31 de outubro. Dia da criançada ganhar doces, por aqui, era a tradição católica de Cosme e Damião... será que ainda tem? Eu recordo quando recebi doces de Cosme de Damião de uma senhora muito simpática, que nem conhecia, muito antes das pessoas saberem o que é Halloween e suas tradições. Agora com o Dia das Bruxas, a criançada ainda recebe doces, porém mudou-se da tradição católica para a pagã...

Mas naquela época somente os fãs de terror lembravam da coisa. Ah, que tempos heróicos aqueles. Sem uma internet para pesquisar, tínhamos que garimpar informações "na raça". Havia somente o Cine Trash, que fazia a alegria de nossas tardes, com o Zé do Caixão. Especificamente sobre o 31 de outubro, talvez só o filme do John Carpenter trazia alguma lembrança. Na noite de um desses Halloweens, lembro de ter comentado com um amigo, Paulo, que o Dia das Bruxas ainda seria comemorado aqui no Brasil. Ele discordou. Achava que não. Eu pensava diferente: que era uma questão de tempo.

Os anos foram passando, e principalmente nos grandes centros urbanos, algumas festas comemorativas começaram a pipocar aqui e ali, ainda que de maneira tímida. Mais tempo se passou, e mais festas foram organizadas, a imprensa começou a lembrar com mais regularidade, e uma rede de informações começou a se formar. Já na era da internet, a data "pegou". Hoje,
em prédios, aqui em Sampa, as pessoas já compram doces para as crianças que batem à porta dizendo "doces ou travessuras", há uma programação de filmes dedicados à data, as festas à fantasia estão mais vivas do que nunca, e até na TV aberta já se encontram cenários decorados para o Halloween. "Pegou" mesmo. Será que daqui a alguns anos teremos abóboras sinistras (as famosas jack o' lanterns) na janela das casas no 31 de outubro?

Fiz esse preâmbulo para lembrar que houve um processo de assimilação da data, e esse processo levou anos, não foi repentino nem é um modismo. Ainda está restrito, creio, às grandes capitais e à garotada, mas o fato é que se não houvesse procura pela coisa, o Dia das Bruxas passaria em branco, o que já não acontece.

O necessário agora, é, talvez, um processo de adaptação da cultura do Halloween (que tem suas origens não nos EUA, mas nas tradições dos antigos povos celtas) para a nossa. O Dia das Bruxas ainda é uma data "cara" e que causa certa estranheza. Precisa se popularizar, cada vez mais. Para isso, precisamos adaptar a data ao Brasil, e não o contrário. Nossa cultura há de ser preservada sem nenhum detrimento do "espírito" (hehehe) original da festa. Claro que há casos e casos. Ficaria puto, por exemplo, se ao invés do Halloween decidissem "importar" o tal do Dia de Ação de Graças (Thanksgiving Day), essa sim, uma data sem nenhum sentido para nós, sem nenhuma ligação histórica ou emocional que justificasse uma imitação idiota e colonizada. Mas,
e se abrasileirássemos o Dia das Bruxas? Nós, brasileiros, temos uma "cultura do mistério" muito rica, principalmente no nosso interior, que está marcado por lendas, boatos, criaturas estranhas, histórias de medo e suspense para John Carpenter nenhum botar defeito (José Mojica Marins, o Zé do Caixão, clama que foi ele quem criou a famosa lenda da 'loira do banheiro' - mais detalhes em outro post). Enfim, porquê não adequar o Halloween à elas? Há algum problema nisso? Lembrando sempre que o futebol não é invenção nossa, e na época em que que chegou por essas bandas era muito criticado como sendo "coisa de ingleses" e "mania de ricos". Muita gente boa foi nessa onda, como por exemplo o escritor Lima Barreto, de quem gosto muito, mas que não entendia o porquê de 22 marmanjos darem "doudos pontapés numa bola", como se escrevia na época. Desnecessário dizer que o futebol ganhou adeptos, popularizou-se e hoje é uma bela expressão da arte e da inventividade brasileiras, reconhecidas de maneira internacional.

Mas o futebol não é "cultura", dirá você; é "esporte". Mas e o samba? Ritmo brasileiro por excelência, teve suas origens nas danças de roda dos escravos trazidos da África e era tocado apenas nas senzalas. Também foi muito discriminado, mas assimilou-se e ganhou seu lugar na cultura popular. E o carnaval, hoje, faz o caminho contrário: foi "exportado" para muitos países! Claro que nem sempre com a mesma empolgação ou originalidade brasileiras - mas isso indica como uma expressão cultural pode ser trazida de fora, assimilada, adaptada e finalmente "recriada" com elementos próprios de cada país. No caso do Halloween, a minha convicção é que o Terror é universal, e não há monopólio desta ou daquela nação.

Por esses motivos, sou a favor da comemoração do Dia das Bruxas sim; porém, somente o tempo dirá se a data será finalmente assimilada de maneira total e aculturada para se tornar mais uma festa brasileira. E agora, chega de papo! Comemoremos o dia de sentir medo. Um feliz Dia das Bruxas para todos!

Fiquem com um trailer, feito por um fã, de Halloween 4, o primeiro filme em que vi o louco da máscara sem expressão, senhoras e senhores... Michael Myers.

domingo, 21 de setembro de 2008

Ao Mestre com Carinho




Hoje, o maior escritor de terror do século XX completa 61 anos. Estupendo, exuberante em sua melhor forma, assustador, colossal, macabro, simples no estilo, mas inteligentíssimo no enredo. Quase não há adjetivos para descrever o Mestre Stephen King e sua obra, que já tornou-se icônica imediatamente após o lançamento do seu primeiro livro, Carrie - e sua fama só aumentou no decorrer dos anos. Um homem que se confunde com o gênero, e alçou a qualidade do Terror, estilo muitas vezes execrado pela crítica, escondido das prateleiras, reduzido à meros livros de bolso, à Best-Sellers de primeiríssima ordem. Vários livros o provam: O Iluminado, A Coisa, O Cemitério, Christine, Sombras da Noite, para ficar só nos principais. Sua linguagem é fácil de ser compreendida, pode ser lido por qualquer pessoa de qualquer idade. Nada de frases rebuscadas, escrita de difícil entendimento e estilo excessivamente pomposo - uma das razões para ser tão popular. Inspirador de muitos, conquistou o leitor ao colocar "pessoas boas em situações ruins e pessoas comuns em situações extraordinárias", como ele mesmo diz - e o fez Ideal de toda uma geração de fãs que devorou seus livros e viu seus filmes. Ele preencheu um enorme lapso de escritores do gênero na Literatura, e seu nome já está definitivamente marcado na história como o melhor de todos, apesar do vigor de seus romances ter sensivelmente diminuído nos últimos tempos.

À medida que Stephen King vai envelhecendo, crescem também os rumores sobre uma possível aposentadoria. A doença incurável na vista, espécie de catarata que o faz perder a visão pouco a pouco, e as seqüelas de um acidente que quase o matou em 99, também contribuem para os boatos aumentarem. Apesar de já declarar que "está ficando cego", e dizer para uma revista americana que é hora de pensar na aposentadoria (e ele já ganhou dinheiro suficiente para isso), Stephen King continua. Vários de seus projetos ainda estão em andamento, na Literatura e no cinema. SK é uma dessas raras pessoas que não deveriam morrer - pra falar a verdade, ele não morrerá mesmo, seu cadáver sairá da terra e arranhará a porta da sua casa na calada da noite, quando você estiver lendo um de seus livros.

Enfim, SK não pode retirar-se. Escrevendo um conto por ano já estará bom (este humilde escriba que vos fala acha, inclusive, que ele é melhor contista que romancista, pois é no conto onde ele desenvolve melhor sua maestria - sendo um formato curto e relativamente rápido, SK faz o terror 'sair', ou fluir, com mais vigor e força). E quando ele tiver 113 anos e disser "Bu!", o mundo vai parar pra ver.

Chegará um tempo, na literatura fantástica, que será dividido em antes e depois de S.K. Poderia falar mais desse meu autor preferido, mas creio que a melhor maneira de homenageá-lo continua sendo ler seus livros. Disponíveis em formato e-book, várias de suas obras estão no blog Diversão e Arte - o link já está aí do lado. Lá, role a página para encontrá-los, baixe-os e boa diversão.

Feliz Aniversário, Mestre.


sábado, 6 de setembro de 2008

Livraria Cultura disponibiliza primeiro conto do livro


Querem ler o primeiro conto de Terrores Noturnos na íntegra, e melhor, de graça? Aqui, "A Capela Maldita" abre-se para você. É só clicar em 'Leia 1º capítulo', acima da 2ª edição do livro, e voilà!

Requer o Adobe Acrobat Reader para visualização. Caso o impoluto leitor deste blog não tenha o dito cujo, baixe gratuitamente direto do site da Adobe. Simples assim. De quebra, você consegue ler até o comecinho do segundo conto.

Leia lá, comente aqui. Para quem ficou com sang... quero dizer, com água na boca, vai mais outro trecho de "A Mais Longa das Noites". Ei-lo.

Boca do Inferno


Dica do meu amigo e blogueiro Paulo: Boca do Inferno. Com 7 anos de net, é um excelente portal de terror, com inúmeras opções para o fã incurável. As resenhas de filmes, para mim, são o ponto alto do site. Fantásticas, escritas por quem manja do assunto. Porém, algumas damas poderão não gostar - certos resumos contam até a quantidade de mulheres nuas!... Mas nem isso tira todo seu brilho vermelho-sangue. Simplesmente... infernal! Adicionado nos Links.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Saraivá!


A 2ª edição de Terrores Noturnos já chegou na Livraria Saraiva (www.livrariasaraiva.com.br)! Procure a mais próxima de você e pergunte pelo livro. Ou se preferir, pode encomendá-lo clicando aqui.

Lembrando que Terrores Noturnos também continua à venda na Livraria Cultura e pela loja virtual da Litteris Editora. Os links estão aí do lado.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Bela tattoo...




Yeah!

Mais da Bienal


Continuando, aí estão mais fotos da Bienal do dia 17 (sessão de autógrafos) e do dia 15 (Lançamento da coletânea São Paulo - Uma Metrópole de Palavra, da qual este que vos fala também faz parte, humildemente).

Mais fotos no site da Litteris (clicar em 'Confira as boas surpresas da Bienal do Livro de São Paulo').










domingo, 17 de agosto de 2008

Terror na Bienal!


A todos que compareceram à sessão de autógrafos na Bienal, muito obrigado! Lembrando que "Terrores Noturnos" continua à venda no estande da Litteris Editora, Rua M com Av. 5, e sai por R$ 27,00. A Bienal está no Pavilhão de Exposições do Anhembi, Av. Olavo Fontoura, 1209 - Santana - São Paulo - SP), e vai até o dia 24/08. Comprem, comprem! Ou, se quiserem, podem comprar direto no site da Litteris (link ao lado).

Vamos às fotos!










Em breve voltarei com mais.

terça-feira, 29 de julho de 2008

2ª Edição de Terrores Noturnos na Bienal!


Confirmado: a 2ª edição de Terrores Noturnos estará na 20ª Bienal Internacional do livro de SP!!!

Uma sessão de autógrafos com este humilde escriba que vos fala está agendada para o dia 17/08, a partir das 16:30, no Pavilhão de Exposições do Anhembi (Av. Olavo Fontoura 1209 - Santana - São Paulo - SP), no estande da Litteris Editora (Rua M com Av. 5). Mais informações no site da Bienal: http://www.bienaldolivrosp.com.br. A entrada é R$ 10.

Lembrando que participo também de mais duas antologias a serem lançadas na Bienal: "São Paulo - Uma Metrópole de Palavra" e "Um Soneto para Machado de Assis", em homenagem aos 100 anos da sua morte.

Convites, mandem um e-mail para fernandoromano80@yahoo.com.br com seu endereço completo que estarei enviando com o máximo de urgência. Espero todos vocês lá!


quarta-feira, 25 de junho de 2008

Bizarrice




Sem comentários.

sábado, 8 de março de 2008

Dia Internacional da Mulher


Pense em qualquer filme, livro, ou história de terror, e uma mulher estará presente. Em um mundo que não faria sentido sem elas, o nosso gênero preferido não poderia ser exceção. Na maioria dos filmes, os homens é que são os vilões - as mulheres são geralmente as que "sobram" no meio da matança toda e as principais responsáveis por salvar o dia (ou a noite, no caso). Em Psicose, de Hitchcock, a cena do chuveiro, talvez a mais famosa do gênero, foi imortalizada por duas mulheres - a vítima, Janet Leigh, e a assassina, a "mãe" de Norman Bates. Mais tarde, a filha de Janet Leigh, Jamie Lee Curtis, tornou-se a primeira "Rainha do Grito" e a heroína de Halloween. E será que Jason seria tão perturbado se não tivesse uma mãe tão dominadora? Em muitas seqüências de Sexta-Feira 13 é uma mulher que acaba por dar fim... melhor dizendo, por invalidar Jason por algum tempo. Já em O Massacre da Serra Elétrica, Marilyn Burns corre e grita o filme inteiro - mas é a única que sobrevive a Leatherface. A personagem Vampira, já comentada aqui, chama a atenção em Plan 9 From Outer Space sem dizer uma única palavra. Até o nosso Zé do Caixão, apaixonado pela mistura Mulher x Terror, com suas assistentes que o fecham no seu esquife e nos seus filmes passando à procura da mulher ideal, que deve lhe dar um filho. E muitos, inúmeros outros casos no cinema.

Na literatura, idem. Edgar Allan Poe já cantava o desespero da perda da mulher amada em seus poemas O Corvo e Annabell Lee. Carrie, de Stephen King, o seu primeiro sucesso, inteiramente baseado nelas, mulheres como vilãs e heroínas. Sem contar a figura da Bruxa, de chapéu bicudo e voando numa vassoura, já bastante difundida no universo do Horror, símbolo do 31 de outubro - o dia delas (e até mesmo na literatura infantil e nas fábulas; a Bruxa má já é um clássico), e mais recentemente, a Vampira, sexy e perigosa ao mesmo tempo, trazendo dor e prazer a nós, pobres homens, nos quais crava seus afiados dentes. A todas elas, a todas essas mulheres que fazem o gênero Terror, uma homenagem deste pobre blogueiro neste dia que é de vocês, como são de vocês todos os dias de todo o resto do ano: Meus parabéns!...

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

"They're coming to get you, Barbara..."





Hoje, 4 de Fevereiro, George Romero, o mestre em filmes de zumbis, completa 68 anos bem vividos (trocadilho intencional). Antes dele, já haviam sido feitos filmes de zumbis, mas ele praticamente reinventou esse sub-gênero com "A Noite dos Mortos-Vivos" (Night Of The Living Dead, 1968), há exatos 40 anos, e influenciou muito do Terror que se seguiu, além de definir, em seu primeiro filme, parâmetros para qualquer filme de zumbi que se preze (principalmente na parte que se refere à locomoção dos mortos-vivos, já comentado aqui.) Guilherme de Martino, em seu Guia de Vídeo - Terror (que eu chamo de "Bíblia" do Terror, com mais de 400 filmes comentados e cotados), diz sobre o trabalho de estréia de Romero: "Um dos maiores clássicos dos filmes de horror, um marco dos anos 60. Considerado a grande influência para o cinema de horror moderno por mostrar, explicitamente, violência e nojo que antes eram apenas sugeridos. Foi um dos filmes responsáveis pelo surgimento do termo cult, devido à fiel legião de fãs, sempre presente em suas exibições à meia-noite. Mesmo com a visível falta de recursos (...), o filme mantém sua força com cenas, ainda hoje, de grande impacto, conduzidas eficientemente por Romero (...). Na época, ficou proibido pela nossa censura. Presença obrigatória na coleção de qualquer fã". Sobre "Zombie, o Despertar dos Mortos": "Seqüência de 'A Noite dos Mortos-Vivos' e um dos maiores clássicos do cinema de horror moderno. Como o filme anterior, este também estabeleceu um novo padrão para o gênero, inaugurando a era dos efeitos exagerados, com humor, explicitação máxima e muito sangue, surgindo daí o uso da expressão [e o gênero] splatter. Um filme altamente crítico (...) e sufocante."

E Romero foi mais além, ao incluir críticas sociais nos seus trabalhos. Incrível! Guilherme de Martino, de novo: " 'O Despertar dos Mortos' (...) satiriza implacavelmente uma sociedade baseada unicamente em valores materiais e consumistas, chegando ao cúmulo de povoar um shopping center com um bando de pessoas-zumbis totalmente desprovidos de consciência e valores. Só lhes resta o mais puro e animalesco instinto de sobrevivência. 'Será que você é um deles?', parece ser a pergunta que Romero nos faz, com os três filmes [na época, eram três] que compõem a série dos mortos-vivos!" Detalhe: isso já em 1978, data de lançamento do filme. Vemos hoje que a sociedade de lá para cá não mudou muito... e sua próxima ida ao shopping nunca mais será a mesma. Em Martin (Martin, 1977), vemos essa mesma sociedade preconceituosa e intolerante. E já em "Vingança Sem Rosto" (Bruiser, 2000), um homem acorda inexplicavelmente com uma máscara envolvendo sua face, que não sai de jeito nenhum; somente quando ele é fiel a ele mesmo, sem atitudes 'mascaradas' ou falsas, fazendo o que ele queria fazer, a máscara o deixa (o filme ainda conta com uma ponta do Misfits no filme, ainda com o vocalista Michaele Graves, cantando a música-título em um show). Somente um gênio do seu quilate para acrescentar esse tipo de crítica num gênero como o Terror, quase sempre à beira da saturação.


Se Romero não fosse autor de "Zombie, o Despertar dos Mortos", "Dia dos Mortos" (Day of Dead, 1985) e outras obras-primas, bastaria esse primeiro filme para "imortalizá-lo" (hehehe) no Panteão (ou melhor dizendo, no Mausoléu) dos grandes diretores do Terror, junto com Tod Browning, William "Tut" Castle, José Mojica Marins (o nosso Zé do Caixão), Wes Craven, John Carpenter, Dario Argento e muitos outros. Seus filmes da Tetralogia dos Mortos (os três já citados acima e mais "Terra dos Mortos" [Land Of The Dead, de 2005]) já foram quase todos refilmados e/ou copiados, várias vezes (temos as séries "A Volta dos Mortos-Vivos" e "Re-Animator" da década de 80, e alguns filmes de Dario Argento) mas a única refilmagem decente é de 1990, de "A Noite dos Mortos-Vivos". Assistí-los no original é imperdível; o que dizer do humor-horror (não Terrir) feito por ele em "Zombie, O Despertar dos Mortos"? Ou o clima totalmente depressivo de "Dia dos Mortos", ou a total falta de esperança que Romero lega à humanidade, com os zumbis capazes de "aprender" mais coisas, em "Terra dos Mortos", ou até mesmo a frase que se imortalizou no começo de "A Noite dos Mortos-Vivos", colocada no início do post: "They're coming to get you, Barbara..." (Eles estão vindo pegar você, Barbara...)?


George Romero, parabéns!! Que você viva muito... muito, muito, muito, muito!!! "Será que você é um deles?" Grrarrrr....

domingo, 20 de janeiro de 2008

Annabel Lee, no original


Neste post, a versão original de Annabel Lee.



It was many and many a year ago,
In a kingdom by the sea,
That a maiden there lived whom you may know
By the name of ANNABEL LEE;
And this maiden she lived with no other thought
Than to love and be loved by me.

I was a child and she was a child,
In this kingdom by the sea;
But we loved with a love that was more than love-
I and my Annabel Lee;
With a love that the winged seraphs of heaven
Coveted her and me.

And this was the reason that, long ago,
In this kingdom by the sea,
A wind blew out of a cloud, chilling
My beautiful Annabel Lee;
So that her highborn kinsman came
And bore her away from me,
To shut her up in a sepulchre
In this kingdom by the sea.

The angels, not half so happy in heaven,
Went envying her and me-
Yes!- that was the reason (as all men know,
In this kingdom by the sea)
That the wind came out of the cloud by night,
Chilling and killing my Annabel Lee.

But our love it was stronger by far than the love
Of those who were older than we-
Of many far wiser than we-
And neither the angels in heaven above,
Nor the demons down under the sea,
Can ever dissever my soul from the soul
Of the beautiful Annabel Lee.

For the moon never beams without bringing me dreams
Of the beautiful Annabel Lee;
And the stars never rise but I feel the bright eyes
Of the beautiful Annabel Lee;
And so, all the night-tide, I lie down by the side
Of my darling- my darling- my life and my bride,
In the sepulchre there by the sea,
In her tomb by the sounding sea.

sábado, 19 de janeiro de 2008

Annabel Lee


"O Corvo" é genial, adoro-o, mas o meu poema preferido de Poe é este: Annabel Lee. Linda tradução de Fernando Pessoa.



Annabel Lee*
Edgar Allan Poe


Foi há muitos e muitos anos já,
Num reino de ao pé do mar.
Como sabeis todos, vivia lá
Aquela que eu soube amar;
E vivia sem outro pensamento
Que amar-me e eu a adorar.


Eu era criança e ela era criança,
Neste reino ao pé do mar;
Mas o nosso amor era mais que amor --
O meu e o dela a amar;
Um amor que os anjos do céu vieram
a ambos nós invejar.


E foi esta a razão por que, há muitos anos,
Neste reino ao pé do mar,
Um vento saiu duma nuvem, gelando
A linda que eu soube amar;
E o seu parente fidalgo veio
De longe a me a tirar,
Para a fechar num sepulcro
Neste reino ao pé do mar.


E os anjos, menos felizes no céu,
Ainda a nos invejar...
Sim, foi essa a razão (como sabem todos,
Neste reino ao pé do mar)
Que o vento saiu da nuvem de noite
Gelando e matando a que eu soube amar.


Mas o nosso amor era mais que o amor
De muitos mais velhos a amar,
De muitos de mais meditar,
E nem os anjos do céu lá em cima,
Nem demônios debaixo do mar
Poderão separar a minha alma da alma
Da linda que eu soube amar.


Porque os luares tristonhos só me trazem sonhos
Da linda que eu soube amar;
E as estrelas nos ares só me lembram olhares
Da linda que eu soube amar;
E assim 'stou deitado toda a noite ao lado
Do meu anjo, meu anjo, meu sonho e meu fado,
No sepulcro ao pé do mar,
Ao pé do murmúrio do mar.


*Ritmicamente conforme com o original.

O Corvo (II)


Há também uma outra tradução do famoso poema de Poe, desta vez feita por Machado de Assis - que também é excelente, por sinal. Escolha a sua versão, e boa leitura.

O Corvo
Edgar Allan Poe



Em certo dia, à hora
Da meia-noite que apavora,
Eu, caindo de sono e exausto de fadiga,
Ao pé de muita lauda antiga,
De uma velha doutrina agora morta,
Ia pensando, quando ouvi à porta
Do meu quarto um soar devagarinho,
E disse estas palavras tais:
"É alguém que me bate à porta de mansinho;
Há de ser isso e nada mais".


Ah! bem me lembro! bem me lembro!
Era no glacial dezembro;
Cada brasa do lar sobre o colchão refletia
A sua última agonia.
Eu ansioso pelo Sol, buscava
Sacar daqueles livros que estudava
Repouso (em vão!) à dor esmagadora
Destas saudades imortais
Pela que ora nos céus anjos chamam Lenora,
E que ninguém chamará mais.


E o rumor triste, vago, brando
Das cortinas ia acordando
Dentro em meu coração um rumor não sabido,
Nunca por ele padecido.
Enfim, por aplacá-lo aqui, no peito,
Levantei-me de pronto, e "Com efeito,
(Disse), é visita amiga e retardada
"Que bate a estas horas tais.
"É visita que pede à minha porta entrada:
"Há de ser isso e nada mais".


Minh'alma então sentiu-se forte;
Não mais vacilo, e desta sorte
Falo: "Imploro de vós - ou senhor ou senhora,
Me desculpeis tanta demora.
"Mas como eu, precisando de descanso
"Já cochilava, e tão de manso e manso,
"Batestes, não fui logo, prestemente,
"Certificar-me que aí estais".
Disse; a porta escancar, acho a noite somente,
somente a noite, e nada mais.


Com longo olhar escruto a sombra
Que me amedronta, que me assombra.
E sonho o que nenhum mortal há já sonhado,
Mas o silêncio amplo e calado,
Calado fica; a quietação quieta;
Só tu, palavra única e dileta,
Lenora, tu, com um suspiro escasso,
Da minha triste boca sais;
E o eco, que te ouviu, murmurou-te no espaço;
Foi isso apenas, nada mais.


Entro co'a alma incendiada.
Logo depois outra pancada
Soa um pouco mais forte; eu, voltando-me a ela:
"Seguramente, há na janela
Älguma coisa que sussurra. Abramos,
"Eia, fora o temor, eia, vejamos
"A explicação do caso misterioso
Dessas duas pancadas tais,
"Devolvamos a paz ao coração medroso,
"Obra do vento, e nada mais".


Abro a janela, e de repente,
Vejo tumultuosamente
Um nobre corvo entrar, digno de antigos dias.
Não despendeu em cortesias
Um minuto, um instante. Tinha o aspecto
de um lord ou de uma lady. E pronto e reto,
Movendo no ar as suas negras alas,
Acima voa dos portais,
Trepa, no alto da porta em um busto de Palas:
Trepado fica, e nada mais.


Diante da ave feia e escura,
Naquela rígida postura,
Com o gosto severo, - o triste pensamento
Sorriu-me ali por um momento,
E eu disse: "Ó tu que das noturnas plagas
"Vens, embora a cabeça nua tragas,
"Sem topete, não és ave medrosa,
"Dize os teus nomes senhoriais;
"Como te chamas tu na grande noite umbrosa?"
E o corvo disse: "Nunca mais".


Vendo que o pássaro entendia
A pergunta que eu lhe fazia,
Fico atônito, embora a resposta que dera
Dificilmente lha entendera.
Na verdade, jamais homem há visto
Coisa na terra semelhante a isto:
Uma ave negra, friamente posta
Num busto, acima dos portais,
Ouvir uma pergunta a dizer em resposta
Que este é seu nome: "Nunca mais".


No entanto, o corvo solitário
Não teve outro vocabulário.
Como se essa palavra escassa que ali disse
Toda sua alma resumisse,
Nenhuma outra proferiu, nenhuma.
Não chegou a mecher uma só pluma,
Até que eu murmurei: "Perdi outrora
"Tantos amigos tão leais!
"Perderei também este em regressando a aurora".
E o corvo disse: "Nunca mais!"


Estremeço. A resposta ouvida
É tão exata! é tão cabida!
"Certamente, digo eu, essa é toda a ciência
"Que ele trouxe da convivência
"De algum mestre infeliz e acabrunhado
"Que o implacável destino há castigado
"Tão tenaz, tão sem pausa, nem fadiga,
"Que dos seus cantos usuais
"Só lhe ficou, na amarga e última cantiga,
"Esse estribilho: "Nunca mais".


Segunda vez nesse momento
Sorriu-me o triste pensamento;
Vou sentar-me defronte ao corvo magro e rudo;
E, mergulhando no veludo
Da poltrona que eu mesmo ali trouxera,
Achar procuro a lúgubre quimera,
A alma, o sentido, o pávido segredo
Daquelas sílabas fatais,
Entender o que quis dizer a ave do medo
Grasnando a frase: "Nunca mais".


Assim pôsto, devaneando,
Meditando, conjeturando,
Não lhe falava mais; mas, se lhe não falava,
Sentia o olhar que me abrasava.
Conjeturando fui, tranqüilo, a gosto,
Com a cabeça no macio encosto
Onde os raios da Lâmpada caíam,
Onde as tranças angelicais
De outra cabeça outrora ali se desparziam
E agora não se esparzem mais.


Supus então que o ar, mais denso,
Todo se enchia de um incenso,
Obra de serafins que, pelo chão roçando
Do quarto, estavam meneando
Um ligeiro turíbulo invisível:
E eu exclamei então: "Um Deus sensível
"Manda repouso à dor que te devora
"Destas saudades imortais.
"Eia, esquece, eia, olvida essa extinta Lenora".
E o corvo disse: "Nunca mais".


"Profeta, ou o que quer que sejas!
"Ave ou demônio que negrejas!
"Profeta sempre, escuta: Ou venhas tu do inferno
"Onde reside o mal eterno,
"Ou simplesmente náufrago escapado
"Venhas do temporal que te há lançado
"Nesta casa onde o Horror, o Horror profundo
"Tem os seus lares triunfais,
"Dize-me: existe acaso um bálsamo no mundo?"
E o corvo disse: "Nunca mais".


"Profeta, ou o que quer que sejas!
"Ave ou demônio que negrejas!
"Profeta sempre, escuta, atende, escuta, atende!
"Por esse céu que além se estende,
"Pelo Deus que ambos adoramos, fala,
"Dize a esta alma se é dado inda escutá-la
"No Éden celeste a virgem que ela chora
"Nestes retiros sepulcrais,
"Essa que ora nos céus anjos chamam Lenora!"
E o corvo disse: "Nunca mais!"


"Ave ou demônio que negrejas!
"Profeta, ou o que quer que sejas!
"Cessa, ai, cessa! (clamei, levantando-me) cessa!
"Regressando ao temporal, regressa
"À tua noite, deixa-me comigo...
"Vai-te, não fique no meu casto abrigo
"Pluma que lembre essa mentira tua.
"Tira-me ao peito essas fatais
"Garras que abrindo vão a minha dor já crua"
E o corvo disse: "Nunca mais".


E o corvo aí fica; ei-lo trepado
No branco mármore lavrado
Da antiga Palas; ei-lo imutável, ferrenho.
Parece, ao ver-lhe o duro cenho,
Um demônio sonhando. A luz caída
Do lampião sobre a ave aborrecida
No chão espraia a triste sombra; e fora
Daquelas linhas funerais
Que flutuam no chão, a minha alma que chora
Não sai mais, nunca, nunca mais.


Feliz Aniversário, Edgar Allan Poe





Hoje, 19 de janeiro, Edgar Allan Poe completa 199 anos. E ele está mais vivo do que nunca. O escritor americano nascido em Boston em 1809, de vida errante e boêmia, foi o criador do gênero policial e o primeiro mestre do Terror. Um dos maiores nomes da literatura universal, Poe representou quase sozinho o movimento Romântico americano. Sua inteligência e sua verve para o misterioso, o macabro, o oculto, é indispensável para qualquer fã que se preze. Além disso, é poeta: seu poema "O Corvo" (que reproduzirei aqui) é talvez um dos mais conhecidos do mundo. Um dos meus ídolos na literatura fantástica. Seus contos são legendários: Enterro Prematuro, A Máscara da Morte Rubra (citado inclusive por Stephen King em O Iluminado), William Wilson, O Coração Denunciador, Os Crimes da Rua Morgue, O Mistério de Marie Roget.

Da introdução do meu exemplar de Histórias Extradiornárias: "A base de toda a prosa de Poe apóia-se no fantástico das exarcebações da natureza humana: alucinações, cuja lógica ultrapassa a da consciência habitual; mentes inquietas e febris; personagens neuróticas; o duplo de cada homem. A impressão de realismo é criada dentro do irreal. Os cenários são brumosos, repletos de elementos de morte e fatalidade. O fatalismo e o mergulho no lado desconhecido da alma humana revelam uma vivência pessoal que fez de Poe um dos principais 'escritores malditos' da Literatura Universal. A influência de Poe estendeu-se à poesia simbolista, à ficção científica, ao romance policial moderno e psicológico".

Quase dois séculos depois do seu nascimento, além de mais de uma centena de anos da sua morte (Poe faleceu em 1849, com apenas 40 anos de idade, em decorrência do alcoolismo), a Máscara da Morte Rubra ainda domina tudo, e você, Poe, ainda continua Extraordinário como suas histórias. Às portas da sua ruína, foste encontrado na rua, inconsciente, mas Sua obra não morrerá jamais, e o gênero Terror depois de você nunca mais foi o mesmo.

À esse "maldito", a nossa bênção. Edgar Allan Poe, um bravo!!!



O Corvo*
Edgar Allan Poe


Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de algúem que batia levemente a meus umbrais.
"Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais.
É só isto, e nada mais."

Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
P'ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais -
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,
Mas sem nome aqui jamais!

Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundido força, eu ia repetindo,
"É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.
É só isto, e nada mais".

E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
"Senhor", eu disse, "ou senhora, decerto me desculpais;
Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
Que mal ouvi..." E abri largos, franqueando-os, meus umbrais.
Noite, noite e nada mais.

A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais -
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.
Isso só e nada mais.

Para dentro então volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
"Por certo", disse eu, "aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais."
Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.
"É o vento, e nada mais."

Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
Mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais,
Foi, pousou, e nada mais.

E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
Com o solene decoro de seus ares rituais.
"Tens o aspecto tosquiado", disse eu, "mas de nobre e ousado,
Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais."
Disse o corvo, "Nunca mais".

Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
Que uma ave tenha tido pousada nos meus umbrais,
Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,
Com o nome "Nunca mais".

Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
Perdido, murmurei lento, "Amigo, sonhos - mortais
Todos - todos já se foram. Amanhã também te vais".
Disse o corvo, "Nunca mais".

A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
"Por certo", disse eu, "são estas vozes usuais,
Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais
Era este "Nunca mais".

Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
Que qu'ria esta ave agoureia dos maus tempos ancestrais,
Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,
Com aquele "Nunca mais".

Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
No veludo onde a luz punha vagas sobras desiguais,
Naquele veludo onde ela, entre as sobras desiguais,
Reclinar-se-á nunca mais!

Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso
Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
"Maldito!", a mim disse, "deu-te Deus, por anjos concedeu-te
O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".

"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais,
A este luto e este degredo, a esta noite e este segredo,
A esta casa de ância e medo, dize a esta alma a quem atrais
Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!
Disse o corvo, "Nunca mais".

"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais.
Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".

"Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!", eu disse. "Parte!
Torna á noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!
Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".

E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha cor de um demônio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais,
Libertar-se-á... nunca mais!


(tradução de Fernando Pessoa)

*Ritmicamente conforme com o original.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Tributo à Vampira




Há exatamente uma semana atrás (dia 10), talvez mesmo enquanto escrevia meu post sobre os "ídolos teen" (quem sabe?...), morria de causas naturais em Los Angeles, EUA, a atriz Maila Syrjaniemi Nurmi, mais conhecida como Vampira. Ela tinha 86 anos.

Apesar de ser mais conhecida por um único filme, o trash lendário Plan 9 From Outer Space, Vampira estava afastada das telas desde 98, quando fez seu último trabalho, e vivia modestamente no sul da Califórnia, quase esquecida. A bem da verdade, depois de Plan 9 sua carreira entrou em uma fase descendente da qual jamais conseguiu se recuperar.

Nada disso interessa. Vampira, a personagem que essa bela finlandesa de Petsamo (que era loira, na verdade) criou e incorporou, é imortal. Como um verdadeiro vampiro deve ser. Seu carisma e sua inconfundível caracterização - Unhas grandes, cabelos negros, sombrancelhas arqueadas e vestido preto - selou, a partir dela, o estilo que viria a ser o padrão para as vampiras de todas as gerações futuras. Ela mesma já declarou que serviu de modelo para Mortícia Addams, a personagem da série de TV Família Addams dos anos 60 - e mais tarde, do filme também, claro. Elvira, a Rainha das Trevas, claramente presta uma homenagem à ela. Em um certo dia de 1982, Vampira recebeu a visita inesperada de quatro punks de New Jersey que se intitulavam The Misfits; nessa ocasião Vampira mostrou-se muita surpresa pelo fato de alguém vir procurá-la, pois já se considerava completamente esquecida; mais surpresa ainda deve ter ficado quando os tais punks disseram que haviam feito uma música em sua homenagem, intitulada Vampira, e a convidaram para o lançamento de seu disco Walk Among Us, dias depois - o que realmente ela fez, comparecendo ao lançamento apesar de todas as dificuldades já naquela época e de estar com mais de 60 anos. Jerry Only, um dos fundadores da banda, declarou no site www.misfits.com: "I found her one of the bravest and most charming people despite heartbreaks that came her way. When she found out what she meant to us, she went out of her way to come down and see us at the record store Vinyl Fetish in LA for the release of “Walk Among us” in 1982 and I’ll never forget that. She will be missed.” (Eu achei ela uma das pessoas mais corajosas e charmosas a despeito das dificuldades que teve em seu caminho. Quando ela descobriu o que significava para nós, ela saiu da sua rotina para nos ver na loja Vinyl Fetish em LA para o lançamento do disco "Walk Among Us" em 1982 e eu nunca esquecerei isso. Ela fará falta) -numa tradução livre. Quem sabe se essa ocasião não foi uma das últimas a ter seu talento reconhecido? Há também um pouco de Vampira em Freddy Krueger e até em Zé do Caixão. Sua contribuição para o imaginário do Terror é imensa, incalculável.


Vampira, és a lenda, o ideal gótico, a pioneira, a primeira nos nossos corações, a melhor que já existiu. A mãe de todas. Vampira é isso aí, a mãe de todas. Não sobra mais nada, depois dela. Foi a primeira apresentadora de um programa de terror na história da televisão, o "The Vampira Show", em 1954, o que nos EUA lhe valeu a alcunha de Glamour Ghoul. Também foi a primeira "Rainha do Horror", antes das "Rainhas dos Gritos" (Scream Queens) Janet Leigh, Jamie Lee Curtis e Neve Campbell, tendo aparecido nos seus dias de glória nas revistas Life e Newsweek. Foi indicada para um Emmy em 1954 como "Melhor Personalidade Feminina". Músicas foram escritas em sua homenagem; e conseguiu tudo isso sem proferir uma única palavra no seu filme mais conhecido. Por tudo isso, Vampira, descanse em paz. Na antiga Roma, quando alguém morria, dizia-se que essa pessoa não havia morrido, mas sim vivido. Do tipo, Fulano de Tal viveu tantos anos. E Vampira, você vive ainda - em cada gótica que ama em cemitérios, em cada garota suicida, em cada bad girl, ou em cada mulher fatal que usa um vestidinho preto colado no corpo e sai para seduzir. Se em vida faltou-lhe mais reconhecimento, a História lhe fará justiça. Penso que a maior homenagem para você é uma noite tormentosa e escura num cemitério antigo, com a chuva caindo inclemente e os raios estourando ameaçadores, com as árvores nuas e o vento soprando e assobiando por entre os túmulos e mausoléus. De minha parte, Vampira, eu coloco uma rosa na tua sepultura; e dou um beijo no mármore frio.

Vampira

21 de Dezembro de 1921 - 10 de Janeiro de 2008

IN MEMORIAM

Tributo à Vampira (II)


Misfits
Vampira


Hey

Black dress moves in a blue movie
Grave Robbers from outer space
Well, your pulmonary trembles in your outstretched arm
Tremble so wicked

Two inch nails
Micro waist
With a pale white feline face
Inclination eyebrows to there

Mistress to the horror kid
Cemetery of the white love ghoul, well
Take off your shabby dress
Come and lay beside me

Come a little bit closer
Come a little bit closer
Come a little bit closer
Come a little bit closer to this

Vampira, Vampira, Vampira

Hey, hey, hey, hey, hey, hey, hey


Tributo à Vampira (III)


Zumbis do Espaço
Nos Braços da Vampira


Ela vem junto com o vento, com seus cabelos negros
Suas presas reluzindo, já não temos mais tempo
Quero sentir o seu corpo, Vampira
Seus dentes no meu pescoço, Vampira

Nossos sangues se encontram, as trevas nos esperam
Sei que não pertenço mais ao mundo dos mortais
Quero estar sempre ao seu lado, Vampira
Quero ser o seu escravo, Vampira

Vampira
Quero ter a vida eterna,
Quero ser o seu escravo,
Quero morrer nos seus braços

Sobrancelhas inclinadas em uma bela face pálida
Vários túmulos violados, o mundo em pedaços
Você veio do espaço, Vampira
Quero morrer nos seus braços, Vampira


quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Ídolos "teen"


Ídolos "teen" mesmo são esses aqui, ó!...







"Carlos, empreste-me a sua orelha..."
- F. K.

Da série "Carros que eu quero": Plymouth Fury 1958




"O nome da máquina é Christine."
-
Roland D. LeBay

E tem que ser vermelho e branco.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Dica de Downloads!



Garimpando por aí, na net, topei com o blog Diversão e Arte. Na seção Biografias, você encontra vários e-books de autores como Stephen King, Agatha Christie, Sidney Sheldon e Jorge Amado, disponíveis para download, junto com uma pequena biografia do(a) escritor(a) e uma pequena sinopse de cada obra. Livros que faltavam na minha coleção do Mestre, impossíveis de achar por serem antigos e já estarem fora de catálogo - como por exemplo, "Cão Raivoso" (Cujo) e Fúria (The Fury) - estão lá, além de uma raríssima HQ com três histórias de Creepshow. E o melhor: é de graça, sem precisar de senha nem nada, é só baixar e pronto. Ah! Eu tô maluco! Devidamente adicionado nos links!

Livros do Stephen King disponíveis para download. Em parênteses, o título original em inglês:

- O Talismã (co-autoria de Peter Straub)
- Angústia (Misery)
- Jogo Perigoso (Gerald's Game)
- A Coisa (It, 2 volumes)
- Tripulação de Esqueletos (Skeleton Crew)
- Sombras da Noite (Night Shift)
-
A Planta (The Plant)
-
O Iluminado (The Shining)
- A Longa Marcha (The Long Walk)
- Fúria (The Fury)
-
A Hora do Lobisomem (Cycle Of The Werewolf)
-
A Metade Negra (The Dark Half)
-
A Torre Negra - O pistoleiro, vol. 1 (The Dark Tower)
-
Dissecando - de Tim Underwood & Chuck Miller (Bare Bones: Conversations on Terror with Stephen King, coletânea de várias entrevistas de S.K.)
- Montando na Bala (Riding The Bullet)
-
À Espera de um Milagre (The Green Mile) - a mesma obra que foi originalmente lançada como O Corredor da Morte, aqui no Brasil, em livros seriados.
- Quatro Estações (Four Seasons)
-
Carrie, A Estranha (Carrie)
-
O Cemitério (Pet Sematary)
-
Cão Raivoso (Cujo)
- Zona Morta (The Dead Zone)
- A Incendiária (Firestarter)
- HQ Creepshow (com 3 histórias: Dia dos Pais, A Morte Solitária de Jordy Verril e Elas estão por Todas as partes)