quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Tributo à Vampira




Há exatamente uma semana atrás (dia 10), talvez mesmo enquanto escrevia meu post sobre os "ídolos teen" (quem sabe?...), morria de causas naturais em Los Angeles, EUA, a atriz Maila Syrjaniemi Nurmi, mais conhecida como Vampira. Ela tinha 86 anos.

Apesar de ser mais conhecida por um único filme, o trash lendário Plan 9 From Outer Space, Vampira estava afastada das telas desde 98, quando fez seu último trabalho, e vivia modestamente no sul da Califórnia, quase esquecida. A bem da verdade, depois de Plan 9 sua carreira entrou em uma fase descendente da qual jamais conseguiu se recuperar.

Nada disso interessa. Vampira, a personagem que essa bela finlandesa de Petsamo (que era loira, na verdade) criou e incorporou, é imortal. Como um verdadeiro vampiro deve ser. Seu carisma e sua inconfundível caracterização - Unhas grandes, cabelos negros, sombrancelhas arqueadas e vestido preto - selou, a partir dela, o estilo que viria a ser o padrão para as vampiras de todas as gerações futuras. Ela mesma já declarou que serviu de modelo para Mortícia Addams, a personagem da série de TV Família Addams dos anos 60 - e mais tarde, do filme também, claro. Elvira, a Rainha das Trevas, claramente presta uma homenagem à ela. Em um certo dia de 1982, Vampira recebeu a visita inesperada de quatro punks de New Jersey que se intitulavam The Misfits; nessa ocasião Vampira mostrou-se muita surpresa pelo fato de alguém vir procurá-la, pois já se considerava completamente esquecida; mais surpresa ainda deve ter ficado quando os tais punks disseram que haviam feito uma música em sua homenagem, intitulada Vampira, e a convidaram para o lançamento de seu disco Walk Among Us, dias depois - o que realmente ela fez, comparecendo ao lançamento apesar de todas as dificuldades já naquela época e de estar com mais de 60 anos. Jerry Only, um dos fundadores da banda, declarou no site www.misfits.com: "I found her one of the bravest and most charming people despite heartbreaks that came her way. When she found out what she meant to us, she went out of her way to come down and see us at the record store Vinyl Fetish in LA for the release of “Walk Among us” in 1982 and I’ll never forget that. She will be missed.” (Eu achei ela uma das pessoas mais corajosas e charmosas a despeito das dificuldades que teve em seu caminho. Quando ela descobriu o que significava para nós, ela saiu da sua rotina para nos ver na loja Vinyl Fetish em LA para o lançamento do disco "Walk Among Us" em 1982 e eu nunca esquecerei isso. Ela fará falta) -numa tradução livre. Quem sabe se essa ocasião não foi uma das últimas a ter seu talento reconhecido? Há também um pouco de Vampira em Freddy Krueger e até em Zé do Caixão. Sua contribuição para o imaginário do Terror é imensa, incalculável.


Vampira, és a lenda, o ideal gótico, a pioneira, a primeira nos nossos corações, a melhor que já existiu. A mãe de todas. Vampira é isso aí, a mãe de todas. Não sobra mais nada, depois dela. Foi a primeira apresentadora de um programa de terror na história da televisão, o "The Vampira Show", em 1954, o que nos EUA lhe valeu a alcunha de Glamour Ghoul. Também foi a primeira "Rainha do Horror", antes das "Rainhas dos Gritos" (Scream Queens) Janet Leigh, Jamie Lee Curtis e Neve Campbell, tendo aparecido nos seus dias de glória nas revistas Life e Newsweek. Foi indicada para um Emmy em 1954 como "Melhor Personalidade Feminina". Músicas foram escritas em sua homenagem; e conseguiu tudo isso sem proferir uma única palavra no seu filme mais conhecido. Por tudo isso, Vampira, descanse em paz. Na antiga Roma, quando alguém morria, dizia-se que essa pessoa não havia morrido, mas sim vivido. Do tipo, Fulano de Tal viveu tantos anos. E Vampira, você vive ainda - em cada gótica que ama em cemitérios, em cada garota suicida, em cada bad girl, ou em cada mulher fatal que usa um vestidinho preto colado no corpo e sai para seduzir. Se em vida faltou-lhe mais reconhecimento, a História lhe fará justiça. Penso que a maior homenagem para você é uma noite tormentosa e escura num cemitério antigo, com a chuva caindo inclemente e os raios estourando ameaçadores, com as árvores nuas e o vento soprando e assobiando por entre os túmulos e mausoléus. De minha parte, Vampira, eu coloco uma rosa na tua sepultura; e dou um beijo no mármore frio.

Vampira

21 de Dezembro de 1921 - 10 de Janeiro de 2008

IN MEMORIAM

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